sexta-feira, 16 de maio de 2008

Um Amor Quase perfeito - Cap 8.


O pedido.

Cheguei com um buque de rosas vermelhas e sem lhe dar oportunidade de questionar comecei a recitar:

Balada do amor através das idades.

(Carlos Drummond de Andrade)

Eu te gosto, você me gosta

desde tempos imemoriais.

Eu era grego, você troiana,

troiana mas não helena.

Saí do cavalo de pau

para matar seu irmão.

Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,

perseguidor de cristãos.

Na porta da catacumba

encontrei-te novamente.

Mas quando vi você nua

caída na areia do circo

e o leão que vinha vindo,

dei um pulo desesperado

e o leão comeu nós dois.

Depois virei pirata mouro,

flagelo da tripolitânea.

Toquei fogo na fragata

onde você se escondia

da fúria de meu bergantim

Mas quando ia te pegar

e te fazer minha escrava

você fez o sinal-da-cruz

e rasgou o peito a punhal...

Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)

fui cortesão de versailles,

espirituoso e devasso,

Você cismou em ser freira...

Pulei o muro do convento

mas complicações políticas

nos levaram a guilhotina.

Hoje sou moço moderno.

remo, pulo, danço, boxo

tenho dinheiro no banco

Você é uma loura (ruiva) notável,

boxa, dança, pula, rema

Seu pai é que não faz gosto

Mas depois de mil peripécias,

eu, herói da paramount

te abraço, beijo e casamos.

- Casa comigo? Falei como se apelasse .

E ela fez como no poema: me abraçou, me beijou e casamos logo após a minha formação na faculdade.

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